História da Polícia Militar do Pará

quarta-feira, 18 de janeiro de 2012

Os militares : da defesa do Estado ao despertar do movimento grevista (PARTE I)

A marcha dos "18 do Forte de Copacabana"
A história do Brasil foi sempre marcada pelo esforço militar em defender o Estado, seja o Estado português na ocupação do território brasileiro no período colonial, seja o Estado monárquico que necessitou sufocar as resistências do período regencial ou mesmo e, principalmente, no período republicano em que as forças militares estiveram no palco diversas vezes.
Major Miguel Costa
Quase sempre os militares e, principalmente, os policiais militares foram os defensores da ordem, da legalidade, dos governantes e da elite política dominante, contudo em momentos de crise a mesma força dócil soube sobrepujar as elites e firmar-se como um elemento de estabelecimento de uma nova ordem, pensada como mais justa e voltada aos anseios populares.
Historicamente, quanto mais mal pagos e mais acossados os militares estão, desta forma, mais sensíveis aos apelos de mudança, reforma ou até revolução. Daí tivemos a luta dos marinheiros para suprimir os castigos físicos na "Revolta da Chibata", a participação de militares do Exército na derrubada da "política dos governadores", na chamada República Velha, onde os militares de baixa patente, principalmente, os tenentes, capitães e majores cerraram fileiras com os seguimentos mais progressivos da sociedade nacional e se lançaram na "Revolta Tenentista".  Bons tempo aqueles!!!

Nesse contexto de revolta contra o sistema político vigente figuras como o o Tenente Eduardo Gomes, o Capitão Luis Carlos Prestes, o Major Miguel Costa tiveram que dar "a cara a tapa" e quebrar os pilares da disciplina e da hierarquia, na defesa de uma ordem social mais justa. E, com certeza, nesse embate a questão salarial pesava, tanto assim que as forças militares federais não tiveram como frear as revoltas da caserna.
A desunião infelizmente cumpriu seu papel nesse movimento, pois os interesses pessoais dividiram as forças antes unidas e, após o golpe de 1930 vê-se a divisão dos militares entre INTEGRALISTAS, os componentes da ANL e os COMUNISTAS.

Os INTEGRALISTAS (defensores da vertente nazi-fascista aos moldes nacionais) apontavam para os modelos alemães e italianos de construção da nacionalidade com manifestações histéricas de adesão incondicional ao Estado.
Os oportunistas e enquadrados compuseram a ALIANÇA NACIONAL LIBERTADORA, via de regra ocuparam os melhores postos no governo, mantendo-se quase sempre subservientes e alinhados à política varguista.
Esses dois primeiros grupos, plenamente enquadrados na política nacional-fascista de Getúlio Vargas que, nos últimos momentos da Revolução de 30 soube se fardar e aproveitar o momento tornando-se o líder do golpe, dada a ingenuidade dos tenentes. 
Capitão Carlos Prestes
O terceiro grupo foi composto pelos militares socialistas e comunistas, os quais não conseguiram ecoar suas propostas no governo Vargas que, até 1932 postergou as reformas constitucionais, motivando inclusive a Revolução Constitucionalista de 1932 e que em 1937 foi surpreendido com o Golpe do Estado-Novo, forçando boa parte dessas lideranças militares a buscar o exílio.
Nesse percurso, centrando a análise na Polícia Militar do Pará, uma pergunta é oportuna: onde estava a PM paraense nesse contexto?
A tradição conta que desde o seu nascimento, em 1818, o Corpo de Polícia do Pará se erigiu dentro da "vocação legalista" senão vejamos.
Criada pelo Conde de Vila-Flor, destinou-se a manter a lei e a ordem, desobrigando as tropas de 1ª Linha ao exercício do policiamento, tendo à frente da polícia o Major José Victorino de Amarantes. Consta ainda que lutou contra a Cabanagem, mas há relatos de que o líder Cabano Eduardo Angelim, nas reformas do Corpo de Municipais Permanentes, nome pelo qual a PM ficou conhecida, assumiu o Comando desse corpo. Aí temos uma contradição: seria elemento da ordem ou da desordem? Ao que parece, os descontentamentos com o modelo e a ordem estabelecida juntou parte dos municipais permanentes em torno do líder cabano que, inclusive, comandara pessoalmente em algumas operações de controle da ordem em Belém.
Restaurada a ordem pelo General Andréas a força policial do Pará teve na Guerra do Paraguai o emprego nos rincões paraguaios, ao lado do Exército nacional, sob a denominação de 1º e 2º Corpo Paraense de Voluntários da Pátria. 
Quando da proclamação da República a tropa policial do Pará, quase nos termos dos "bestializados" de José Murilo de Carvalho, acatou o movimento que, praticamente, se deu nos bastidores. 
Vargas fardado
Implantada a república vem a necessidade de se enviar a tropa policial para os sertões de Canudos, em 1897, como forma de consolidar a imagem do Pará como um Estado à altura de São Paulo e Amazonas, os quais, à propósito também enviaram suas tropas aos sertões bahianos. Esse contexto imortalizou a figura do Coronel Fontoura, à época TEN CEL, pela "bravura" e "heroísmo" em ter avançado sobre o arraial, mesmo sem ordem do Comando do Exército para dar aquele combate. 
Interessante que um ato de desobediência imortalizou um coronel da PM e deu-lhe louros de herói. Outra pergunta que se faria: que padrão é esse de heroísmo? A história não relata nem um enfrentamento do Coronel Fontoura com a "marginalidade" daquela época, nas ruas de Belém. Contudo, deixa evidente que foi o Comandante Geral de maior longevidade na função: 11 anos de comando e, ainda, que esteve alinhado à política governamental da época e, por ter confiado nos políticos, amargou na reserva o atraso no soldo e os baixos salários que, numa história não oficial, teria levado o "herói de Canudos" a entregar-se à bebedeira, jogatina e roubado-lhe a saúde mental.
Talvez a "síndrome de Fontoura" seja a forma encontrada por governantes posteriores para atormentar muitos oficiais da PM que não tiveram os seus direitos reconhecidos na reserva ou reforma, sem discriminação de posto ou graduação, em que a ordem do dia é cortar os direitos conquistados no trabalho árduo de policiamento ostensivo. 
Capitão Barata - Interventor federal do Pará
Mas a PM continuou defendendo a ordem e o Estado e, no movimento tenentista, reprimiu duramente os tenentes do Exército nas ruas de Belém nos anos de 1820 à 1930, tendo inclusive prendido por algumas vezes o Tenente Joaquim de Magalhães Cardoso Barata, futuro interventor federal. Outra atuação repressiva da PM contra os inconfidentes tenentistas, num duro confronto, ceifou a vida do Capitão do Exército Assis de Vasconcelos e do lado da PM a do Tenente PM Luiz Rodrigues Ferreira da Silva, na rua que após a vitória da Revolução de 30, recebeu o nome do Capitão do Exército.
Uma vez imposta a nova ordem com a Revolução de 30, foi extinta a PM, por não atender as necessidades governamentais. Esse foi o soldo pago pela manutenção da ordem pública. Felizmente, as forças policiais acostumadas à repressão contra as desordens dos tenentes foram acionadas pelo próprio Magalhães Barata para conter a mobilização da Guarda Civil rebelada que contava com apoio de estudantes.
Chico Buarque de Holanda, em Geni e o Zepelim, sintetiza bem como uma instituição pode ser tratada ao longo da história. Ora serve aos interesses e é bem tratada, ora merece levar pedrada e ser xingada.  

 

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

Mudança no comando da PMPA

O Coronel PM Daniel Borges Mendes é o novo Comandante Geral da Polícia Militar do Pará em substituição ao Coronel PM Mário Solano. O anúncio foi feito pelo Secretário de Estado de Segurança Pública e Defesa Social, Luiz Fernandes Rocha, em uma coletiva com a imprensa realizada na sede da Secretaria na manhã da terça-feira (3).

Na coletiva, o Coronel PM Daniel, que antes estava à frente do Comando de Policiamento da Capital, informou que o plano de ação de 2012 na área de Segurança Pública já está pronto e que o trabalho que vem sendo realizado não será interrompido; mas, intensificado.

Para a função de Subcomandante Geral da corporação, assume o Coronel PM Walci Luiz de Queiroz, que também destacou a importância do trabalho integrado dos órgãos de Segurança Pública, o que vem conseguindo diminuir os índices de violência no Estado em um trabalho conjunto que será fortalecido ainda mais.

O Secretário Luiz Fernandes, destacou ainda que os levantamentos realizados pela Segup, em parceria com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese-PA), em 2011, mostraram que houve redução da criminalidade de forma consecutiva nos últimos 12 meses e que esse número é resultado do plano de ação que integra as forças de segurança. Mas, para o Secretário, esse índice deverá ser melhor em 2012.
(Fonte: Agência Pará/Foto: Cláudio Santos).

Passagem de Comando:
A cerimônia militar de passagem do Comando da corporação acontecerá na sexta-feira, 06 de janeiro 2012, às 09h00, na Avenida Brigadeiro Protásio, entre Av. Júlio Cesár e Av. Dr. Freitas. O uniforme para o evento é a túnica azul petróleo (3º Uniforme) - no caso dos policiais militares, às demais forças - o correspondente, aos civis - passeio.
(Fonte: Ascom-PM).

Nossa Opinião:
Com a mudança são esperados os ajustes no âmbito das Diretorias e Comandos Operacionais Intermediários que visem ao atendimento das prioridades do novo comando que, ao que tudo indica, goza de grande prestígio no Governo e com a tropa, uma vez que o novo Comandante esteve à frente de diversas operações importantes, responsáveis pela queda dos índices de violência na RMB.
Ao que tudo indica não haverá ruptura na busca da eficiência administrativa,  no resgate de melhores condições de trabalho e na elevação da qualidade de vida da tropa, frutos do amadurecimento de projetos contidos no planejamento estratégico "PM 200" que aponta para o bicentenário da corporação em 2017.
Boa Sorte ao novo Comandante!!!

Em tempo:
Falta menos de um mês para as comemorações dos 30 anos da presença feminina na corporação. Salve 01fev1982.




quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

COMBATE À CRIMINALIDADE NO CPR-I

Numa operação iniciada a quase duas semanas o serviço de inteligência do Comando de Policiamento Regional I e da 16ª Zona de Policiamento, prenderam quatro homens e apreenderam um menor, todos estavam portando armas de fogo.
A operação foi iniciada em razão de alguns assaltos que começaram a ocorrer na cidade e seguindo denuncias da população os policiais chegaram até Lucas Barros que estava em uma moto parado em um posto na entrada do bairro Maracanã e durante a abordagem a policia encontrou com ele uma pistola 380, logo depois foi preso Neivaldo Macedo Dolzanes e com ele foram encontrados um revolver calibre .38 e uma pistola bereta. Ainda durante a tarde foram presos também Roterdan Prata Ferreira, Cledson Nogueira Ribeiro e um menor no bairro Jutaí com três armas de fabricação caseira.
Todos são suspeitos de participação em assaltos na cidade e com eles ainda foram apreendidos duas motos e mais a quantia R$ 550,00 e a operação ainda continua com o objetivo de fazer cessar todas as investidas de criminosos contra a população. Segundo a tenente Izabel Monteiro que estava a frente da missão o policiamento está intensificado por determinação do comandante do 3º BPM, tenente coronel Anthenor Oliveira e esses trabalhos serão ainda mais acirrados contra as quadrilhas e bandos, “Nosso objetivo e garantir a paz de quem vai as compras, está em sua residência e toda a população que tem direito a uma segurança de qualidade. Estamos aqui pra isso e vamos cumprir nossa missão.”, disse a tenente Izabel Monteiro.
Dois dos acusados são de Manaus e o outro de Macapá, “Eles chegam aqui achando que por ser uma cidade tranquila a polícia está  desatenta e é quando são surpreendidos por nossas constantes atuações”, finalizou a tenente Izabel Monteiro. 

Fonte: Assessoria de Comunicação / ASCOM - CPR-I.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

ACONTECEU NA PMPA: 02 DEZ 1970

Foi tornada sem efeito a publicação referente à assunção do comando da Cia do CG pelo 1º TEN PM ABILIO PEREIRA MARQUES e foi nomeada a comissão para proceder perícia na viatura de placa 2026, um Jeep, que fora incendiada, tendo por responsável pelo IPM o CAP PM JOSÉ MARIA MACHADO. A comissão era composta pelo CAP PM HERCILIO AMARANTES DE OLIVEIRA e SUB TEN PM IZAIAS CARVALHO DA SILVA.
* FONTE: BG Nº 223, 02 DEZ 1970, fls 969.